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RENATO RATIER
O homem com um plano do Brasil

Uma questão pra você. Renato Ratier está criando um renome e tanto pra si na cena da dance music brasileira. É:
a) como DJ
b) como produtor
c) como proprietário de club
d) como empresário
e) como visionário
A resposta é todas as alternativas anteriores.
Renato Ratier abraça muitos papeis. Ele é, bem possivelmente, o cara que mais trabalha na emergente cena eletrônica brasileira, onde tem residência tanto no Warung quanto no D-Edge. A Tilllate Magazine encontrou o Renato pois queríamos perguntá-lo sobre os planos do Warung para festa de aniversário de dez anos, e muitas outras coisas…

Todos vimos essa reportagem da Forbes tratando o dance no Brasil como o que cresce mais rápido no mundo – isso é certo? A sensação in loco é de uma cena quente ?

Sim, está certo. Nos últimos cincos anos houve mesmo um boom nas festas eletrônicas em todo o Brasil, não apenas nas grandes cidades. E muitos clubs foram abertos nesse período. Muitos artistas que não podiam descolar uma única noite decente no Brasil, agora têm convites para toda uma turnê de dez dias. Estamos dando nosso melhor para administrar esse crescimento de forma sustentável e consistente.

Você acredita que possa ser uma bolha temporária como foi a EDM [música dance eletrônica] nos EUA, ou é uma coisa que chegou pra ficar?

Até onde consigo perceber, existe um verdadeiro planejamento na maioria dos investimentos que estão sendo feitos na EDM aqui no Brasil. Não apenas nas festas, mas também nos festivais. Muitas marcas internacionais da dance estão olhando pro Brasil como um investimento a longo prazo. E muitas marcas brasileiras estão crecendo também. O Brasil não tem uma bolha – nós seremos a próxima capital cultural do mundo!

Conte-nos sobre alguns dos eventos que você planejou pro D-Edge na primavera [no texto, outono sic] ?

Temos todas essas coisas pra acontecer no mês que vem: AMIRALI, SLOW HANDS, NO REGULAR PLAY (27 de outubro), GUY HERBER e HOT SINCE 82 (1o de novembro), FINEBASSEN e COCOON HEROES FEAT SVEN VÄTH (8 de novembro), e MONIKA KRUSE (22 de novembro).

Como estão os planos pra abrir o novo club? Quão parecido será com o D-Edge?

A construção já está em curso no Rio. É um lugar interessante, em frente às docas do bairro portuário da cidade. É uma área que até hoje é muito escura e sem uso comercial. O prédio era o depósito de uma empresa de eletricidade. É um prédio de três andares. Essa área vai ser revitalizada pela prefeitura do Rio como parte do esforço de reurbanização para os Jogos Olímpicos de 2016. Estamos construindo não só um club, mas também espaços para mostras de arte, dança e perfomances. Também uma galeria, um estúdio de música e um restaurante. É mais como um centro cultural. O conceito da iluminação vai ser desenvolvido pelo mesmo designer [do D-Edge], Muti Randolph. O conceito do D-Edge é ser como uma máquina, e no do Rio será a máquina MÃE, a completa.

E quanto a sua atuação nas pickups, o que é importante pra você quando você está tocando? As músicas, a galera, a sequência, ensinar o público ou…?

Acho que tudo isso é necessário quando você está nas pickups. Se você consegue fazer isso tudo funcionar, então é um bom DJ. Você tem que consolidar o sentimento da pista, criar uma ponte entre a audiência e sua arte, criando a emoção pela técnica, perfomance e repertório.

O Warung faz dez anos este ano, quais foram os pontos altos, em retrospectiva? Você pode explicar a diferença entre o Warung e o D-Edge?

O Warung é um verdadeiro templo da música, a atmosfera lá é incrível. Está bem perto da natureza, o mar, as montanhas e a floresta. É um lugar mágico. A música lá também evoluiu. Comecei a tocar como DJ residente e pude introduzir algumas características diferentes que não tinham sido exploradas antes. As diferenças são muitas, a começar pela localização, lá o club está cercado de natureza e mata, o outro club está dentro da floresta de concreto, em uma das maiores cidades do mundo.

O Warung consegue receber 500 pessoas numa noite, já o máximo do D-Edge é 1500, mas o D-Edge abre quatro vezes or semana, ao passo que o Warung às vezes apenas uma por mês. Mas o que nos une de verdade é o respeito e o amor pela música.





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