•  RAINER TRÜBY

Dono de um catálogo impressionante de faixas que são centrais na compreensão da revolução que um certo som alemão provocou nas regiões onde o jazz encontra a pista de dança, Rainer Trüby é o tipo de bon vivant que preza os prazeres da vida acima de tudo e sem pudor. Habitante das bucólicas paisagens da Floresta Negra e oriundo de Stuttgart, é bem difícil ser mais tipicamente teutônico que ele e isso se reflete diretamente em todas as suas paixões, seja pelo apetite catalográfico por ritmos de todo o mundo ou pelo interesse por comida de todos os cantos e um bom vinho.

A renovação trazida à baila pela turma congregada ao redor dos selos Compost e Sonarkollektiv e, principalmente, do multifacetado projeto Jazzanova, além do seu Trüby Trio, não foi nada tímida e os efeitos podem ser ouvidos até hoje. Em um momento no qual os sons germânicos eram associados aos ritmos mecânicos do techno e do trance, eles chegaram propondo algo muito diverso: uma sonoridade que se sustentava firmemente nos instrumentos acústicos em elementos afro-latinos. O resultado foi uma mistura tão prenhe de possibilidades que até hoje se faz sentir pelos mais diversos gêneros, e Rainer trafegou por praticamente todos com maestria.

Desde suas primeiras faixas como A Forest Mighty Black, nas quais apresentava soluções rítmicas ousadas dentro do já arrojado universo do D&B, sempre bem marcadas por uma abordagem bem filiada ao jazz funk, até suas aventuras na house e broken beat como Trüby Trio, que definitivamente ajudaram a redefinir a forma como a contribuição latina é incorporada na música eletrônica. Suas produções são belos exemplos de como alinhavar elementos étnicos e samples orgânicos no interior de potentes levadas.
Um favorito de Marky, Patife (que remixou um de seus clássicos), Tahira e seu anfitrião na Soul.Set, Thiago Guiselini, entre tantos outros seletores que, como ele, primam pelo ecletismo e uma boa vibração na pista.




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