•  Interview @ Rainer Trüby

Interview @ Rainer Trüby [08/06/2017] f/ Arjana V. Jonsson

 

1) Olá! Querido Rainer, Muito obrigado pela sua entrevista.
Pra começar, conte-nos um pouco mais sobre como você consegue transcender sua energia e se conectar com as pessoas enquanto na pista de dança, toca o espectro de bpm mais baixo. É mais fácil ou mais difícil se conectar através de bpm mais lento ou bpm altamente acelerado que dirige movimentação das pessoas loucamente …
Qual a principal diferença nessa conexão?

Eu lancei uma compilação no label Compost aonde estou responsável pela A & R,  chamado “Slouse” como em “Slow House”, que estava focado exatamente o lado mais lento da música house, digamos a cerca de 100 bpm para 116 bpm. Eu adoro esse tempo musical e acredito que você ainda pode transmitir bastante energia dentro desse intervalo de tempo. Eu sempre gosto de tocar o conjunto de Warm-up em festas e raramente começo rápido, o que não significa que eu apenas toco música mais lenta. Mas eu acho que se você quiser levar os ouvintes em uma jornada, não há necessidade de mixar coisas rapidamente no começo. “Pegue as pessoas pela mão e construa as coisas a partir daí e veja para onde a viagem pode continuar” – esse é o meu lema.

2) Quando você começou a produzir e quem foram seus primeiros heróis?

Eu fui realmente influenciado no início dos anos 90 por labels como Talkin’Loud e Mo’wax com nomes como Young Disciples, Galliano ou U.F.O do Japão. Também há o Hip Hop como De La Soul, A Tribe Called Quest ou Jungle Brothers que desempenhou um papel importante na minha educação musical.

3) Como a música house se manteve em seu repertório e seu ser e performance diária?O que o inspirou a tomar o house  em consideração após e anos de experiência em tocar jazz, funk, drum and bass. Qual foi o fator X para essa relação?

No início e no meio dos anos 90, o House não era minha direção principal. Eu preferia mesmo o funk orgânico, o soul e  o jazz e do lado eletrônico eu estava voltado mais para o hip hop e também o para o drum and bass .Nos anos 90, tive a sensação que o house se tornou mais musical com muitas influências latinas, brasileiras, afro e também de jazz. Hoje em dia, eu mesmo me nomearia de DJ House, que combina soul, funk e boogie. Ainda gosto de tocar conjuntos de jazz também. Hoje em dia eu tento achar vinis de House dos anos 90 que eu perdi naquela época. Pensando bem, acho que você poderia me chamar agora de “house head” [risos].

4) Hoje em dia, o que o inspira a continuar trabalhando, fazendo turnês e produzindo? O que de fato o conduz para esse caminho?

Eu adoro meu trabalho, mesmo quando estou fazendo coisas bem minusciosas, certamente me transformando em um veterano nesta cena. Ainda não aprendi fazer nenhuma outra coisa que não seja música, então eu acho que continuarei fazendo isso, pois estou sempre feliz, me divertindo e grato por isso.

 5) Refletindo sobre a atual situação da música eletrônica (podemos ver muitos nomes tecnológicos proeminentes que chegam todos os dias), Você concorda com o fato de que há menos DJs de house (em sua forma clássica, mas em novo terno) e, se sim, por que você acha que isso está acontecendo? Quais novos e proeminentes produtores de house estão vindo e os brasileiros deveriam prestaram atenção?

Acho que a cena musical é muito rica no momento. Há muitos jovens talentosos produtores,  chegando em todos os gêneros , não só techno, também house, disco… Mesmo o movimento de “break beat” dos anos 90, esta tendo um “revival” através dos novos produtores. Como nomes promissores eu destaco:
Corrado Bucci, Max Graef, Glenn Astro, Snacks, Rampa, Aroop Roy, Ezel… Falando sobre brasileiros, certamente o trio Nomumbah .

5) Como é seu trabalho como A & R para a label Compost se integra na sua vida cotidiana?
O que, na sua opinião, são os ingredientes mais importantes para que as labels em geral e  funcionem e sobrevivam?

Recebo um monte de demos todos os dias e realmente gosto de verificá-las, especialmente quando eles parecem realmente com inspeção.
Paraas  labels sobreviverem em uma base de longo prazo, eu aconselho a não seguir nenhum hype e manter a originalidade que a label representa.

6) Você poderia nos contar um pouco mais sobre sua conexão com Daniel Plessow e o
Motor City Drum Ensemble… como  começou e o que resultou disso?

Daniel e eu somos da mesma cidade da Alemanha chamada Sttutgart.  Sttutgart tem empresas e fábricas de automóveis, como a Mercedes e a Porsche. Nós até a chamamos de “Cidade do Motor”.. daí veio o nome “Motor City Drum Ensemble”. Eu o conheci no final dos anos 90 quando ele ainda era muito jovem. Nós ficamos amigos. Ele também é um grande colecionador de discos, principalmente de jazz espiritual, soul e disco. Em 2007, decidimos fazer algumas músicas juntas como “To Know You”, “Ayers Rock” e mais algumas. Espero voltarmos ao estúdio juntos novamente em breve.

6) Quando você ouve música brasileira, qual é o primeiro pensamento que vem à sua mente? Beleza e tristeza são apenas duas palavras que eu imediatamente combino com a música brasileira… Beleza, porque eu adoro o uso exclusivo de harmonias sensíveis na composição de músicas brasileiras, a musicalidade, os ritmos e muitas vezes os vocais… e tristeza porque eu não entendo tudo. [risos] Mas, estou trabalhando nisso.

7) Qual é a coisa mais importante na vida hoje em dia e o que você faz quando não produz …
Eu realmente gosto de cozinhar e isso se tornou um hobby, uma vez que a música se tornou uma profissão. Uma boa garrafa de vinho para combinar com a comida também é sempre bem-vinda..


FREAK CHIC D-EDGE special CIO w/ RAINER TRÜBY @ Sexta (09) @ 23:59




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